segunda-feira, 6 de maio de 2019

jardineiro do sol, por tdzn

Antes que o grande sono desça sobre mim e de meus lençóis costure uma mortalha, visto-me à luta, dispo-me à vida, exalto minha lida.
Antes de extinto o vigor dos músculos e das perguntas no inevitável funeral da minha fé, sequestro o fogo divino, descontraio a mente tímida, desarrumando lógicas.
Até que deserto me tome as veias, meu coração seja máquina sem pulsar, catalogo dúvidas. Espantem-se homens, sonhem absurdos; deixem que rasgue o peito a voz selvagem, que rasgue a alma, fira, rompa essa voragem; abri passagem à alquimia humana, transmutando sangue em sonho, corpo em espaço, mente em braço.
Antes que nuvens me escureçam a paisagem, fazendo chover meus olhos, embarco rumo ao oriente íntimo. Minhas mãos regam o sol; nos olhos, furibundos ventos: promessa de novos tempos!


domingo, 5 de maio de 2019

mensagens do dia, por tdzn


Saudade de outros tempos, quando as pessoas eram mais simples e ingênuas e tinham sonhos e ambições mais modestos; hoje em dia, tempos de narcisismo e vaidade extremos, todos nós, meio delirantemente, parecemos querer o impossível de nós mesmos e uns dos outros: salvação, perfeição, plenitude, vocação, talento... imortalidade também?

Os inteligentes mudam para não morrer; os inflexíveis morrem porque não conseguem mudar; já os vaidosos morrem porque não querem (mudar)!

A vida é passageira; os erros são eternos.

O homem é infinito; e só é infinito porque acaba!

sábado, 4 de maio de 2019

fotos, imagens do dia, por tdzn











PARA ARTHUR RIMBAUD, por tdzn

 
O desregrar-se: tua mira,
Alvo só por ti subjugado.
Foste um recriar-se dia a dia,
Recriando-se te fizeste mito raro.

Dos poltrões acentuaste a hipocrisia,
De outros, a candente invídia temperaste.
Qual ventre ornou-te de ousadias,
Mas descuidou-se das arestas aparar-te?

Anjo & demônio, belo torto,
Bateau ivre em amores puros e violentos.
Visionário do sol, em longes mares absorto,
Precursor de ignotas estradas e alentos.

De poder impossíveis, tu brincaste,
E os fez, avidamente, timoneiro-mor.
Sobre os alvos pés a poesia dobraste,
Que, em tua alma ébria, foi maior.

Ainda precoce imberbe (fugaz fulgir),
Cansaste do vigor dos versos singulares,
Abandonando órfã a poesia, a desflorir.
Arte, pátria, amor não eram mais teus lares.

Urgia da ágil sina provar os mil sabores,
E assim andarilho, traficante, hippie pioneiro.
O mundo te perdeu, tu te perdeste alhures,
Dormindo para repousar no Olimpo, altaneiro!